Blog de Débora Fontenelle (CRÔNICAS)


 

O MÉTODO KONMARI DE ARRUMAÇÃO SÓ ME TRAZ ALEGRIA...


Arrumação            

 

 

 

Arrumar a casa nunca foi tarefa fácil. Talvez só assim possa parecer a quem nunca arregaçou as mangas para executar essa nobre tarefa. Para mim, se já encontro dificuldades de arrumar 100% o meu quarto, imaginem se eu tivesse que encarar a casa toda... Mas, como moro com minha família, as tarefas são mais divididas e a demanda geral torna-se mais leve. Gosto de muito de organização; o meu problema é o acúmulo de material e, quando dou por mim, fico cheia de livros, revistas e papéis, além de alguns utensílios. Portanto, deixar tudo arrumadinho é uma arte que eu realmente admiro e, apesar da dificuldade, o desejo de fazer a arrumação perfeita persiste...  Este ano, por fim, decidi que colocaria as minhas coisas em seus devidos lugares de uma vez por todas. E aí é que me perguntei: “Como vou encontrar lugar para tudo isso?”, “O quanto vou ter que jogar fora?” Arrumava um pouco aqui e um pouco ali e por mais que eu me desfizesse de coisas, logo surgiam outras. Os objetos pareciam proliferar. Quando eu já estava atordoada sem saber como resolver a questão, descobri o sensacional livro “Isso Me Traz Alegria – Um Guia Ilustrado da Mágica da Arrumação” da japonesa Marie Kondo. Resolvi então apelar para a tão decantada sabedoria oriental e aí alegria foi o que não me faltou. Afinal, um guia cheio de desenhos ensinando como arrumar a casa e só guardar o que nos deixa feliz era tudo o que eu queria. Comecei quase que imediatamente a leitura e decidi que colocaria o método KonMari (como a autora o patenteou) logo em prática. O desafio estava lançado!

Segundo a expert em arrumação, devemos organizar nossos pertences não por cômodos, mas por categorias na seguinte ordem: 1) roupas 2) livros 3) papelada 4) itens variados (komono) e 5) itens de valor sentimental. Gostei da sequência, mas quando pensei em empilhar todas as minhas roupas em um único lugar para começar a seleção, tremi nas bases. E quando li frases do tipo “arrume as gavetas como as caixas japonesas bentô” ou “dobre as roupas como um origami”, vi que era um processo bem diferente de tudo o que já tinha visto e ao mesmo tempo fascinante. Já conhecia um origami, porém confesso que corri para o Google para ver como era a tal caixa bentô. Aprovei o modelo e fiquei a imaginar como eu poderia deixar uma gaveta daquele jeito. Contudo, negava-me a considerar a tarefa como um dos doze  trabalhos de Hércules ou uma missão impossível. E como não sou de desistir de meus objetivos facilmente, um dia eu abri o guarda-roupa e fui à luta...

Animei-me e iniciei a arrumação pelas gavetas. Só pelas gavetas. Pronto! Já comecei desobedecendo o livro... Porém, o fator tempo foi determinante para a minha decisão. Para vocês terem uma ideia, havia já tanta coisa em cada gaveta que, por exemplo, ao puxar uma blusa, eu derrubava outras e ainda desarrumava as que ficavam debaixo para meu desespero. E sempre perdia tempo arrumando tudo de novo... Que raiva! Portanto, tratei logo de aprender as instruções para descartar as roupas que não me interessavam mais, depois dobrar as minhas peças favoritas em forma compacta de retângulo e colocá-las em ordem vertical para ganhar espaço e facilitar a identificação. Também aprendi a tratar os sutiãs como “membros da realeza” e dispor todas as minhas peças com cores claras na frente e as mais escuras atrás formando um efeito dégradé. Aí constatei que não estava enfrentando uma luta, mas experimentando um distinto prazer ao tocar minhas roupas, selecionar quais me faziam bem, quais eu achava mais bonitas, quais cabiam em mim... e sentir quais irradiavam alegria. No final das contas, o balanço foi mais do que positivo e o efeito visual foi uma sequência de peças coloridas, organizadas e tratadas com muito carinho.

Antes de chegar a esse ponto, entretanto, passei pela grande aventura de arrumar minhas meias. O que Marie Kondo diz sobre o assunto? “Fazer ‘bolotas em formas de batatas’ com as meias e meias-calças ou dar nós nelas é uma coisa cruel. Pare agora mesmo com esta prática.” Nestes termos. No caso de dar nós era justamente o que eu fazia e ainda por cima deixava as meias todas dentro de um saco. Podem imaginar que eu já tinha perdido a conta da quantidade delas há muito tempo... Segui, então, a recomendação da autora, dobrei todas as meias com esmero e não fiquei com as que tinham furos ou estavam desfiadas.  Essa diretriz me ajudou a descartar de cara vários pares e a arrumar belamente todas as meias, uma por uma. A partir daí, eu poderia sentir-me, através das minhas roupas, valorizada da cabeça aos pés, literalmente. A minha empolgação foi só aumentando e, depois que as minhas gavetas já estavam arrumadas, fiquei numa felicidade só. Nem tinha sido tão difícil assim... Marie Kondo disse que muitas das suas clientes ficavam tão satisfeitas após a arrumação que abriam e fechavam suas gavetas várias vezes só para contemplar o resultado. Não resisti e fiz mesmo. E ainda resolvi tirar fotos para registrar o feito histórico.

A próxima etapa foi cuidar das demais partes do guarda-roupa, tarefa que reservei para outra data. Antes de ler o livro eu aplicava só duas técnicas para fazer a arrumação. Eis a primeira: separar as roupas nos cabides por cores e estação. Por isso, posiciono as roupas de frio em uma parte do móvel e as mais leves em outra, colocando todas dispostas por variações de tons. Por exemplo, arrumo uma sequência de cabides com peças azul-marinho, a próxima com peças azuis mais claras, a seguinte com verdes e por aí vai... A segunda técnica eu aprendi através de um e-mail que recebi sobre Feng Shui: descartar pertences na mesma proporção que adquirir novos. Na verdade é a única parte do Feng Shui da qual consigo lembrar-me. No caso, se eu comprar três blusas novas e duas saias, eu logo providencio o descarte de três blusas e duas saias usadas. Se não conseguir fazer tudo bonitinho, eu descarto cinco peças e pronto. Desta forma, mantenho o equilíbrio no número de roupas, meu armário jamais fica abarrotado, tenho sempre artigos novos, renovo a energia do ambiente e ainda posso ajudar as pessoas doando itens. Dicas simples e eficientes.  E o guia de Marie Kondo foi decisivo para mim ao trazer a ideia inspiradora de só manter o que dá alegria. Isso facilitou e muito o processo tanto de descarte quanto de armazenamento. Só não consegui aplicar o princípio de agradecer a cada item ao me desfazer dele. Como agradecer a um ser inanimado? De qualquer maneira, senti-me grata como um todo por ter usado aquelas peças. Depois das gavetas, já preparava minhas baterias para impulsionar a arrumação do restante.

Reservei um ou dois fins de semana para a segunda etapa do desafio. Como o guarda-roupa estava com meio caminho andado foi moleza! Mantive o padrão que eu já usava, pois era quase idêntico ao do guia. E, para fazer tudo como mandava o figurino, coloquei as bolsas menores dentro das maiores, pus todos os chapéus, viseiras e bonés na parte alta do móvel e quando vi o espaço parecia ampliado e os itens coloridos e arrumados brilhavam aos olhos... Terminei a proeza e quase não acreditei: tudo estava tão bonito, organizado e bem-feito que a alegria não irradiava apenas das roupas, mas de mim. Saibam que quando alguma coisa saía do lugar eu logo tratava de pôr de volta. Assim podia visualizar quase todas as peças com facilidade e ganhar muito mais tempo para decidir o que vestir em cada ocasião. Como valeu a pena! E ainda tomei fôlego para fazer o mesmo processo com todos os meus calçados.

 Outra parte boa foi quando apliquei o método para arrumar a mala nos preparativos das minhas férias para Fortaleza. Dobrei cada roupa até diminuir de volume para formar o famoso retângulo e depois coloquei tudo na vertical. Preferi levar peças mais leves que não se amassassem muito, levei embalagens e frascos pequenos com sabonete líquido, pasta dental, cremes hidratantes, escovas, pentes e tudo o mais que ocupasse pouco espaço. O resultado é que viajei com tudo o que eu queria, necessitava e ainda me dava alegria. Alegria também foi ver que a mala parecia muito maior do que realmente era. Para completar, fiz compras suficientes que puderam preencher os espaços vazios e a minha satisfação pessoal. Voltei com sorriso de orelha a orelha com o efeito das férias e da organização.

Só há um pequeno problema: não fiz ainda nem metade do que recomenda a autora. O vestuário pode estar arrumado, mas só de pensar que o próximo passo é encarar os livros e depois vem a papelada é de arrepiar... O final do ano está chegando e a conclusão do desafio vai ficar para as metas de 2017. Vou deixar para contar as novas emoções aos leitores em outra oportunidade. Não percam as cenas do(s) próximo(s) capítulo(s) aqui no meu blog e acompanhem o que será “2017 - uma odisseia no meu espaço*...”

 

Obs.: Brincadeira com o nome do filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick  (1968).

 

 




Escrito por Debbie Fontaine às 12h42
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